terça-feira, 15 de julho de 2008

Constatações


Às vezes choro me olhando no espelho, às vezes como sem fome...

Às vezes ando de pés descalços, às vezes leio um livro só até a metade...

Às vezes tenho orgulho dos meus pecados, às vezes duvido dos outros...

Às vezes me sinto parecida com a minha mãe...

Às vezes estranho meu próprio nome...

Às vezes vou passear debaixo de árvores para ver se chove flores...

Não tenho plantas em casa porque esqueceria de regar...

Não deixo de comprar flores porque acho que mereço...

Não minto porque não gostaria que mentissem pra mim e porque acho que não vale a pena prorrogar uma decepção.

Nunca quebrei nada que precisasse de gesso...

Nunca andei de navio...

Nunca capotei com o carro...

Nunca deixei de dizer o que sentia por medo...

Nunca viajei de caminhão...

Quando eu fico triste fico muda...

Quando estou alegre pareço que pulo mesmo não tirando os pés do chão...

Quando sinto saudades fico angustiada e com vontade de chorar...

Quando gritam comigo sinto raiva do outro por me sentir insignificante...

Quando eu falo sacanagem fico envergonhada, mas acho graça...

Quando eu gargalho não tenho vontade de parar...

Quando estou feliz as coisas bonitas estão em maior número (mesmo que seja uma só)...

Quando escrevo, transbordo, quando leio, mergulho...

Quando me surpreendem muito, também me roubam as palavras...

terça-feira, 17 de junho de 2008

E se fosse verdade?!


Imaginem que todos os telefones da cidade estão enguiçados...

Imaginem que eu fiz uma ligação e deu sinal de ocupado...

Imaginem que, de repente, o sinal de ocupado começou a soar em chamada, mas que ninguém atendeu, e que em vez de atendido o número discado ouvi uma linha cruzada...

Imaginem que por curiosidade simples, passo a ouvir a conversa entre um homem e uma mulher, e que no final da conversa ouvi uma frase nitidamente...

Imaginem que a frase foi “Eu amo você”, o que foi verdade...

Imaginem então que me senti amada, porque a frase também foi pra mim...

Será verdade?

Siiiiiim, a frase era pra mim...

Agora não imaginem mais, apenas digam "siiiiiim" ao mundo...

Siiiiiiiiiiiim!!!!

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Férias...



Nããão minha gente, o blog não estava abandonado...
Só tirei férias e esqueci de avisar....

Vocês devem ter percebido que a freqüência das postagens diminuiu muito...
Bom, acho que por enquanto vai ser assim...
To meio perdida e sem foco, mas continuo por aqui!!!

Se quiserem mandar coisas pra postagem e discussão, a casa é de vcs!

Vou no meu tempo, tudo bem?!

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Sem Essa Aranha


Ok, eu assumo. Ando em falta com o blog.

Na verdade, ultimamente, não sei bem o que postar, para o que direcionar...há vários filmes e livros sobre os quais gostaria de estar comentando, ao mesmo tempo que a minha necessidade de escrever grita. Talvez esteja poupando vocês da coisa errada...

Livros e filmes são muito mais interessantes do que qualquer delito imaginário cometido por mim, seja em relação a sociedade, a alegria, dores, amores e sabores...
Além do mais, a possibilidade de troca é maior, já que ninguém se atreve a cometer um delitinho sequer, nem que anonimamente...

("suas informações seriam mantidas no mais absoluto sigilo", rs)

Vamos lá então. Dentre os muuuitos filmes que já tinha listado em um papelzinho para comentar aqui, vou começar pelo último que assisti: "Sem Essa Aranha", dirigido por Rogério Sganzerla em 1970, uma cópia gravada do Canal Brasil...
(E, como sempre, mais uma vez, Canal Brasil salva a nação, apesar de cortar/editar uma cena de masturbação com uma garrafa de vidro)

Rogério Sganzerla. Cinema Marginal. Uma experiência.

Isso mesmo, ex-pe-ri-ên-cia.
Uma experiência difícil, corpórea. Parecia que via o filme com o corpo, com os músculos, lutando com meus frágeis neurônios para "entender" o que estava se passando...

As experiências acontecem num fluxo caótico.
Era muito pra minha cabecinha...

Imaginem...
De um lado, a busca forte por "sentidos" a que fomos condicionados mantinha meus olhos e minha mente excitados e ligados ao filme...
De outro lado, o quebra-cabeça abstrato e quase experimental que Sganzerla criou vinha para desmontar toda essa estrutura viciada que nos foi estipulada, criando uma contradição que me fazia indagar o porquê de estar tentando entender algo que, não necessariamente, precisava ser entendido...

Eu queria sentir e só.
Sentir a experiência que Sganzerla propôs...

Mas minha consciência não permitia...
O esforço intelectual me levou a inúmeras "crises de resistência"... (rsrs, ééé...quando não se tem o QI muito elevado, a mente brilhante e culturalmente ativa como muitos, a capacidade de dominar a consciência, a gente padece...)

Sabem aquelas pessoas que dormem em sessões de terapia?
Então, me senti igualzinho...rs
Ainda bem que não estava sozinha e, antes mesmo de cair no sono, era dispertada, mas tava difícil...(tb não vou dizer que não tive que voltar nenhuma cena, porque mentiria...)

A câmera é assumidamente tosca (aquela, sempre bem-vinda, ousadia da câmera na mão), o "boom" aparece em várias cenas, os planos-seqüências são longos e a interpretação dos atores parece que sai do útero, é contra tudo o que os teóricos já haviam definido...
...os personagens são desprovidos de construções psicológicas ou sociológicas, anti-naturalista e anti-realista, vivem o instante...

O filme exala brasilidade...
Uma honestidade que de tão verdadeira, tão próxima, assusta...
Um filme clandestino, um filme-grito, um filme-vômito, um filme urgente, um filme livre!!!

Acho que ninguém conseguiria assistir "Sem Essa Aranha" e não ficar intrigado com o filme, com as imagens, ou mesmo pensando em alguma possível mensagem subliminar que o diretor queria passar...

É um tipo de experiência perigosa para a normalidade...

...dessas que deixam as pessoas catatônicas...
...visceral demais para os que não se permitem...

"Números musicais com Moreira da Silva e Luiz Gonzaga, stripteases, um pacto com o demônio, artistas de circo, masturbação e morte completam essa eletrizante chanchada psicodélica, apresentada em quinze planos-seqüência de tirar o fôlego e enquadrados com estilo pela câmera-na-mão de Edson Santos." (Remier Lion)

É o grande sonho de fazer cinema, de viver cinema!!!



Algumas informações sobre o filme:

Sem Essa Aranha
(Brasil, 1970, P&B)
Gênero: Comédia
Duração: 102 min.
Produtora(s): Belair Filmes
Diretor/Roteirista: Rogério Sganzerla
Elenco: Aparecida, Moreira da Silva, Maria Gladys, Luiz Gonzaga, Helena Ignez, Jorge Loredo

"Em quinze planos-sequência delirantes, Sem Essa, Aranha, filmado pouco depois, traz o fim do mundo na pele de um pilantra; o caos de um país que está fora da página. É Jorge Loredo que faz Zé Bonitinho que faz Aranha, um cara de pau favelado casado com dezenas de mulheres e responsável pela alimentação de não sei quantas mil crianças. Três esposas são destacadas no filme: a raivosa personagem de Helena Ignez, a Aparecida domesticada e religiosa e uma insuportável Maria Gladys, que passa o filme inteiro berrando: "eu tô com fome!" e "ai que dor de barriga!".
É Sympathy For The Devil à moda carioca; o pecado exagerado via câmera na mão nos happenings tão profanos quanto psicodélicos.
Há três seqüências memoráveis. Um cabaré de quinta categoria, movido à música emocionadamente brega. Enquanto Helena Ignez força o vômito (depois ela aparece xingando todo o sistema solar!), Zé Bonitinho que faz Aranha que faz Jorge Loredo revela um strip-tease e proclama: "quando deus me fez, estava com complexo de superioridade".
Pouco depois, em um alegórico ensaio (?) de um grupo de circo, aparece tudo quanto é tipo de gente. Um homem cuspindo fogo, mulheres à beira de um colapso nervoso, um travesti negão encarnando o Exu e uma moça que morre engasgada com um sanduíche. Com o Brasil fora da página, pecar em dobro não é problema algum.
O ápice fica por conta de Aranha (Jorge Loredo que faz Zé Bonitinho) descendo o morro para jogar no bicho. Ele é cercado e desmascarado pelos favelados e por suas mulheres, que continuam berrando desesperadamente. Tudo acaba com Cristo sendo pisado ao som de forró. Há seis mil anos que era preciso aparecer um filme assim."

(Texto retirado de "Revista Virtual Freakium")

sábado, 17 de maio de 2008

O Tempo...


Ele apareceu quando ainda não tinha muita intimidade...

O menino que tem um olho azul, outro verde se apresentou num dia de sol peneirado pelo céu pedrento e espelhado de água, prometendo me contar um segredo que faria de viver e amar um jogo menos perigoso pra mim...

Talvez vocês ainda não saibam, mas o Tempo guarda mil segredos...
E só guarda, por que sabe das coisas...

...sabe que ninguém se esconde atrás de máscaras pra sempre...
...sabe que as pessoas mentem um monte, mentem pros outros, pra si próprias, protegendo-se de amar...
...sabe que as pessoas privam-se da verdade, revestem-se de presunção, ostentação, mentindo e mentindo muito, mentiras horrorosas...

Naquele dia, olhei para o céu, os raios de luz tentaram romper a grade de nuvens...
Foi quando cheguei à conclusão de que a verdade do Menino Tempo é como a luz solar no teto pedrento e espelhado de água, prevalece...

Meu amigo, esse menino levado e paciente, estava com bermuda azul estampada com nuvens brancas...
...o Tempo...

Demos umas risadas...
(ele é debochado, sabiam?)

Contou-me de umas pessoas que estavam por passar, falou do futuro, contou das gentes que não sabem amar, ficou triste-amargo-irônico (tudojunto!)...

Alertou mais uma vez do medo, do meu, dos outros...
Falou sobre medo, das coisas espantosas que ele faz com homens e mulheres...

Mudou a voz para um tom grave, orgulhoso, falou que era meu amigo e bradou:
- “Você é livre. Vai incomodar quem não sabe muito de si, quem não quer saber, porque em geral, os outros são doentinhos, tadinhos...
Mas você é livre e quem souber beber da sua liberdade vai lhe amar.”

Eu olhei pra ele com os olhos avermelhados de maresia, lacrimejados por saber em mim a liberdade que desconfiava, e meio abestada com aquilo tudo...

- “Tenha paciência, hoje você ainda não sabe, mas eu vou lhe mostrar...
Ainda há Tempo, né?”

Tempo...
Caímos na gargalhada...


sábado, 10 de maio de 2008

Recaída...


Tenho me sentido muito só...

Sinto a solidão palpável quando estou triste, querendo alguma coisa que me ocupe o tempo...

...que cesse a esperança de alguma coisa que não sei se virá...

...que acabe com a espera solitária, da busca da dormência, do torpor, da fuga...

É o desespero silencioso de quem um dia soube sentir mais intensamente a vida do que hoje, achando que isso abafa a dor...

Sei que não é bem assim que as coisas funcionam...

Só queria um pouco de carinho...

O encontro com alguém cúmplice, que compactua com certas "agravâncias" da vida e compartilha alguns não-entenderes, determinantes na sua personalidade, pode mudar tudo...

Esse elo quase físico com o outro nos leva a uma condição de viver mais sublime, talvez até consiga diminuir a solidão e a tristeza, ainda que apenas pela duração do encontro...

Mas sempre que isso acontece só consigo me isolar mais e mais...

Acho que não gosto que as pessoas me vejam triste, com aquela angústia vazia mesmo quando estão por perto...

Ou vai ver não possuo essa cumplicidade com ninguém, já que quando doa-se ao outro uma parte de si, nada mais justo do que receber um afago, uma sacudida, um contraponto...

Porém, nem sempre é assim...

Aquela história de que uma hora a plantinha morre se não for regada, cuidada...

O medo dos outros me entristece mais ainda...

De certa forma, a ausência por estes dias se explica...

E muitas outras coisas também...

sexta-feira, 9 de maio de 2008