
... "...estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço." ...
Não sei bem por que, a quê, ou a quem.... só sei que me achei contente hoje, como a muito tempo não me via, e tive vontade de me declarar feliz...
Não sei se por sentir o calor no corpo do sol escaldante...
Não sei se pelo banho torrencial de chuva que tomei (dessas de verão...dessas de lavar a alma e fazer escorregar carrapato), quando estava em cima do telhado (olha o perigo! rs), roubando limões da casa vizinha...
Ou por me acreditar mais próxima de mim mesma a cada dia que passa....
Coisas egoístas do tipo: estar viva, ter vários cantinhos pra fugir, minha família, meus amigos... Ser amada? (nem que pelos amigos e familiares...)
Gostar do que faço, ler, escrever...
Viver coisas que vivi, simples, ínfimas, intensas, explosivas...
Desde lançar pedras ao rio....
Sentar debaixo da árvore e ver na flor o corpo despido da roseira...
Gargalhar e não segurar a pasta de dente....
Mergulhar em Copabacana e fazer acrobacias, à meia noite, junto da minha fiel companheira e um árabe maluco, recrutado no caminho...
Fazer cafuné na minha "filha" e dormir tudojunto porque ninguém quer se separar...
Voar como se fosse a coisa mais corriqueira e depois despencar desengonçada, como quem cai da cadeira...
Até alcançar cega, como tantas vezes, as mãos do trapezista, sem rede, nem nada...
E também, como tantas vezes, me machucar...
Mas é cair e levantar...
Me camuflar nas palavras....
Escrever nas últimas páginas, nos cantinhos, nas bordas, no arame, embaixo dos pés....
Acho que estou começando a entender aquele negócio da gente levar a vida inteira pra se tornar a gente mesmo...
Bom ter vocês por perto e saber que enquanto me decomponho, me multiplico também...
É isso, acho que no final, só queria agradecer...
Então....
Muito Obrigada!!!